Tudo o que existe
possui alguma fenda
E é assim que a luz entra
(Leonard Cohen)
O que as trevas mais temem são a luz,
E isso qualquer religião poderia te falar.
Um fósforo apenas, daqueles de cartela,
É suficiente para quebrar a hegemonia.
Há uma casa ainda - de pé, ainda,
Em um monte criado por amantes
Com suas imagens de futuro em suas carnes,
Onde as trevas nunca terão pouso.
Uma luz, um lúmen fraco resiste,
Entre tantas velas apagadas e esgotadas.
A cera chorando lentamente, preguiçosa,
O cheiro de parafina lembrando velórios infinitos.
Mas a luz ainda vela, resiste ao tempo,
Acesa com fagulhas de olhos apaixonados,
Alimentada por sonhos, lágrimas e mel,
Apreciada pela castidade do momento sagrado.
Nesta capela herética e abandonada,
As sombras se projetam maiores que eram,
Assustam a todos que ainda ousam visitá-la,
Imprimem nas paredes de reboco a vida cinza.
A trilha, já apagada, não conduz mais a nada,
E não creio ser possível a visita.
Quem lá ficou, não pode mais fugir,
Quem de lá fugiu, não tem como voltar.
Mas as trevas não têm força contra a Luz,
E o incauto caminhante que se aventurar
Por aquelas sendas, poderá, desavisado,
Vislumbrar uma única chama, no topo da colina.

1 clientes:
Mais uma pérola. Ótima epígrafe!
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