terça-feira, 8 de novembro de 2011

Punhais USB e costelas vagas


Como o pão da fome
Feliz por ainda ter o que comer.
Visto os andrajos rotos de meu orgulho
Como se trajasse o sudário derradeiro.
Já perdi quase todos os dentes,
Mas ainda assim, consigo sorrir para a turba,
Mascarando com sarcasmo a metástase.

Parado na vanguarda do exército,
Vejo-me sozinho e desarmado.
Lá atrás, ri-se o cortejo de bufões
De minha inocente e vã ousadia.
Não posso voltar, queimei as pontes,
E agora minha única opção é lutar
- mesmo sabendo que a derrota é prêmio.

Sempre foi assim, nem me impressiono mais.
Perdi o olhar que tinha para pedir auxilio,
E não reconheço mais semelhantes como tais.
Dos castelos de areia erguidos pelo infante
às fantasias de grandeza costuradas em silêncio,
boxeei no escuro com as mãos amarradas,
e me acostumei às chagas como um leproso.

Soam os tambores da guerra, toca o berrante,
E lá vou eu para mais um embate inglório,
Mais um evento infortuito de uma lolnga cadeia.
Até mendigos têm cães, protetores fieis,
e mesmo esses me abandonaram ao relento.
Preciso me convencer da solidão,
E degustar o amargo fado da derrota, velha amiga.

E quando os saqueadores campearem os espólios,
Talvez encontrem meu corpo massacrado
Entre corvos, elmos amassados e guerreiros tombados.
Serei novamente sacudido e chutado
- apenas para checar se ainda respiro –
E acreditem: entre sangue seco e espadas quebradas,
Ainda encontrarei forças para sorrir.

3 clientes:

Wenceslau disse...

Sério... importa!
Sempre com uma escrita cheia de imagens do passado e do presente em profunda harmonia!

Arcanjo disse...

Muito bom o poema, parabéns Bardo...

luiz carlos disse...

"Soam os tambores da guerra, toca o berrante,
E lá vou eu para mais um embate inglório,
Mais um evento infortuito de uma lolnga cadeia.
Até mendigos têm cães, protetores fieis,
e mesmo esses me abandonaram ao relento.
Preciso me convencer da solidão,
E degustar o amargo fado da derrota, velha amiga."

Profundamente belo,veemente palavras.