terça-feira, 29 de novembro de 2011

Toto



Vocês, humanos, não perdem esta mania
de querer sublimar cada momento
E nunca percebem em sua miopia
que a utopia é o simples.
Não vim aqui atrás de epifanias
Ou de algum tipo de redenção.
Vim aqui apenas para me divertir
- Como todos os outros –
E isso não tem nada a ver
com alma, amor, coração ou casa;
isso envolve apenas o carpe diem,
e a capacidade inata de ser feliz.

“Toto, eu acho que não estamos mais no Kansas”,
Disse Dorothy, e eu, indiferente, assenti.
Nunca precisei de pouso certo, não tenho raízes,
E o que me seduz é a própria jornada.
Não posso ser responsabilizado
Pelas pretensões ou planos de futuro alheios,
Vivo o momento e espero que ele não volte,
Sabendo que a felicidade se esconde habilmente
Em latas de goiabada e cuias de queijo Palmira.
As verdades mais profundas e sinceras
São ditas lançando perdigotos em mesas de bar,
E os momentos mais sublimes do amor
Se fazem em motéis sujos com lençóis baratos.

Por detrás das cortinas, o titeriteiro comanda
A parafernália horrenda para encantar tolos.
Minha função é essa mesmo, a de ser escroto,
E puxar o véu com os dentes,
Revelando a farsa e expondo a chaga.
Toda essa retórica poética de esperança
Não vale mais que um passeio ao fim de tarde,
Correndo em volta de quem se ama
- e nada de amor ideal ou perfeito,
Apenas o amor volátil como o momento,
O momento de se ser feliz e navegar,
Sem mapas ou bússolas,
Em direção ao infinito e ao eterno.

A verdade é que todos tecem expectativas,
Esperando que a felicidade caia com chuva;
Querem prender o universo todo em teias,
Mas não se dão ao trabalho de tecê-las.
Você não recebe amor, você compartilha,
E isso significa que ele emana de você
Para se sintonizar na frequência do outro.
A decisão é individual e solitária,
E nenhuma fórmula mágica mudará isso.
Os tijolos da estrada não são amarelos,
São vermelho-sangue, e cabe a cada um
Tornar dourado o caminho que lhe conduz.
O dia que entenderem isso, serão felizes.

Não estou nem aí se vocês, desiludidos,
Não conseguiram nada do que buscavam em Oz.
A viagem de retorno é sempre árdua
Àqueles que esperaram muito do destino.
Eu, que cheiro cada flor à beira da estrada,
Volto como parti, feliz e abanando o rabo,
Esperando que o porvir seja um continuum,
Mais uma estação pitoresca da viagem,
E não o Xanadu de almas sempre em stand-by.
Claro que gosto de um afago, água fresca,
E um teto para descansar as minhas patas,
Mas nada disso é condição si ne qua non.
Eu só preciso de mim mesmo para ser feliz.

1 clientes:

Os Tavernistas disse...

A verdade é que todos tecem expectativas,
Esperando que a felicidade caia com chuva;
Querem prender o universo todo em teias,
Mas não se dão ao trabalho de tecê-las.
Você não recebe amor, você compartilha,
E isso significa que ele emana de você
Para se sintonizar na frequência do outro.
A decisão é individual e solitária,
E nenhuma fórmula mágica mudará isso.
Os tijolos da estrada não são amarelos,
São vermelho-sangue, e cabe a cada um
Tornar dourado o caminho que lhe conduz.
O dia que entenderem isso, serão felizes.


Opinião sincera: Sublime!