sábado, 26 de novembro de 2011

Voz e solidão


O aedo chegou cedo – como era esperado
Montou sua parafernália e esperou.
Olhou as damas que flanavam na praça,
A desgraça estampada na cara
Dos meninos que pediam atenção
- “Calma, coração” – ele falou
“a hora da mudança é para agora”.
Do lado de fora, pegou o violão
Plugou na caixa de ossos, e no PA
“é pra já”, e dedilhou uma canção.

"Senhores do mundo, do nada,
Está na hora não só da onça beber água,
Mas dessa água dar pra toda a gente.
Dinheiro não se come, não se planta,
E a miséria alheia já é tanta,
A mudança, como nunca, é urgente.

Nosso voto é de união, de irmandade,
Nada de utopia – já passamos da idade
Mas queremos construir um mundo são.
Um lugar onde as crianças possam rir,
Protótipo de um auspicioso devir,
Onde lembremos a nossa filiação.... irmão.

As pessoas começaram a levantar,
Pagar a conta, sair, procurar outro bar,
Onde não tivessem que ouvir
O trovador, solitário, cumprida a missão,
Desplugou a viola e o coração
E partiu para outra freguesia.
A semeadura é árdua e constante,
E num instante, tudo muda – eu sei
O sagrado ofício do herói do dia a dia
Chorando sozinho e a contemplar a ilusão.

2 clientes:

Henrique disse...

E quando ao quarto retornara
solitário compôs mais uma canção
para adiar o fim do mundo.
Em nenhum segundo se sentiu otário
Por fazer parte dessa turma rara
Que amanhece o dia realizando o sonho.
O ofício do vate é a sua alegria
Sua arma é sua fantasia
A recompensa um rosto livre e risonho.
O combustível dos versos a agonia
De ver tanta maldade e hipocrisia
Tornar o nosso dia mais tristonho.

Bardo disse...

Do your thing, Mr. Singer. :)