domingo, 4 de dezembro de 2011

Sangrar



Às vezes necessito da maldade,
Como necessários são, aos coveiros,
Os plácidos e lívidos neodefuntos,
Ou ainda, para alimentar o leão,
Não é preciso que morra a gazela?
Às vezes necessito ser mau.

Quase sempre preciso do amor,
O amor de Páris por Helena,
O amor louco, furioso,
Capaz de deflagrar uma sangrenta guerra,
E destruir civilizações.
Quase sempre necessito ser amado.

Para escrever poesias, necessito de sangue,
Que escoa de meu coração gangrenado,
E flui por minhas veias obstruídas,
Revivendo tecidos já moribundos,
Injetando meus olhos de predador.
Para escrever poesias, tenho que sangrar.

3 clientes:

Anônimo disse...

IDEM!
''Para escrever poesias, necessito de sangue,
Que escoa de meu coração gangrenado,
E flui por minhas veias obstruídas,
Revivendo tecidos já moribundos,
Injetando meus olhos de predador.
Para escrever poesias, tenho que sangrar.''

Eczúvia H.

Anônimo disse...

Cara, há muito tempo li uma poesia que acho que é de sua autoria.
Se não me engano o título era "Ensaio II". Lembro que algumas passagens: "gado marchando rumo ao matadouro", "felizes de vós ignorantes que percebeis quão mesquinha é a humanidade".
Será que poderia postar essa poesia?
Obrigado!
Diego Gerhardt

Bardo disse...

Que beleza... Uma poesia tão antiga. Posto sim, Diego, sem problemas. Mas me tire uma dúvida: onde você leu esta poesia?

Uma baitabraço, e evoé!