sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Samsara



Por que nascer, crescer, reproduzir, morrer?!
E no intervalo disso tudo, comer, beber,
Excretar, amadurecer, sorrir;
Amar seu semelhante, perdoar o inimigo;
Pagar suas contas, contribuir para a sociedade,
Tomar vitaminas, bater chapa do pulmão, fazer canal
- se embriagar de vez em quando –
Ler, estudar, aprender, tirar diploma
- passar em um concurso público –
Se apaixonar, sofrer, trair, ser traído,
Se achar o mais infeliz dos entes,
Ou o último MM vermelho do pacote,
Escrever poesias...
Sim, escrever poesias.

A religião conforta, mas não explica.
A Filosofia explica, mas não conforta.
Rodamos feitos ratos envenenados,
Batendo em sarjetas, bueiros e bancos,
Como se soubéssemos o que estamos fazendo.
Mas não fazemos nem ideia.

Vivemos procurando sentido nas coisas
Sem perceber que as coisas não têm sentido.
- também não precisam ter sentido algum,
Pois já fazem um puta esforço para existir.
As coisas existem, e é só isso mesmo.
Nós existimos, e é mais do que suficiente.

E na pior das hipóteses,
Deus criou o homem
Porque precisava de um crítico de arte.

2 clientes:

Rômulo Souza disse...

"Vivemos procurando sentido nas coisas
Sem perceber que as coisas não têm sentido."

Mesmo que você não se importe, vai aqui uma opinião de quem gostou da poesia. O trecho destacado acima foi o que mais me chamou a atenção. Na verdade, ser humano é isso. É estar procurando sentindo onde não há, é revirar dentro de nós mesmos sempre algo diferente pq nada há de bom. Ainda bem que Deus criou o crítico de arte, ele só não deveria deixar o homem criar certas instituições onde ele, o crítico, quis se tornar Deus! Aí, acho q foi um acidente fatal mesmo. Da criação ou da vida...enfim. Evoé!

luiz carlos disse...

"A religião conforta, mas não explica.
A Filosofia explica, mas não conforta.
Rodamos feitos ratos envenenados,
Batendo em sarjetas, bueiros e bancos,
Como se soubéssemos o que estamos fazendo.
Mas não fazemos nem ideia"


Destaco aqui a parte deste belo poema afiado como lâmina,que profundamente me acertou o locaute