sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Autogroselha

Algumas coisas deixam entrever o rascunho que sou, sem me definir, mas por elas sou julgado, condenado e executado à revelia, seguindo a cartilha de cavalo de 7 de Setembro: cagando, andando e sendo ovacionado.
Não gosto de Clarice Lispector. Acho uma bosta, chato mesmo, literatura pseudofilosófica do maravilhoso não-entendimento niilista que tanto encanta os wannabes. Clarice usava metáforas vazias de sentido, historinhas chatas e mimimi feminista eterno. Não julgo nenhum autor por um livro, mesmo bons autores podem escrever um livro fraco. Leio pelo menos três obras, e os três livros de Clarice que li são ruins.
Acho Legião Urbana um saco. Bandinha ruim, instrumental pré-escolar e letras que caem na mesma parvoíce acima. Quando fazem sentido são ruins, quando não fazem encantam os tolos. “Não faço ideia do que o Renato quis dizer aqui, mas parece alguma coisa sublime”. E olha que eu já estou nas fronteiras dos 40, fiquei exposto a essa merda durante minha formação enquanto ser humano (loading, ainda). Aproveito o ensejo para dizer às crianças que o tal movimento de B´Rock, o Rock Brasileiro dos anos 80 nunca existiu, é uma classificação kidult de gente saudosista. As bandas que perseveraram no rock durante os anos 90 foram poucas – e nem foram as melhores (Ira, por exemplo). Paulo Ricardo virou José Augusto, Paralamas virou Buena Vista Social Club Fake, Dinho estava chapado demais para perceber que a década havia mudado. Agora fica todo mundo pagando de roqueiro, mas é mentira, viu? By the way, não existe rock brasileiro no mainstream, ponto.
(Um parêntese para o parágrafo acima: quando eu cresci a moda eram festas dos anos 60, essa tendência é cíclica e eu tenho medo de quando vocês crescerem a moda for revival dos anos 10. Naldo bombando com uísque e água de coco e o casal de meia idade: “Amor, estão tocando a nossa música! Que romântico!”; “Ah, se tocar Quadradinho eu choro!”)
80% das pessoas que comem comida japonesa não gostam dessa porcaria, só comem porque parece coisa de rico. Eu me considero um animal perfeito (ser humano não. Legal é que para ser lagartixa é só nascer lagartixa, mas para ser humano não basta apenas nascer humano.): como qualquer coisa, durmo de qualquer jeito (e em qualquer lugar) e não tenho problemas de excreção, mas acho comida japonesa um troço insosso que não enche barriga. Tudo tem o mesmo gosto e consistência, daí você enche de pasta verde dar uma dixavada (Word reclamou aqui. “Dixavar” ainda não está dicionarizado? Deveria.). Na verdade esses 80% comem mais pelo ritual, pelo exotismo das tigelinhas, água preta e pauzinhos. É uma forma de dizer: “Olha, eu sei comer assim!” Queria ver era esse povo comendo caranguejo em Itamaracá, com caldo preto escorrendo pelo cotovelo, isso é expertise.
Não gosto de gatos, nem de Almodóvar. Acho essa tal de “modéstia” hipocrisia para ganhar elogio. Não tenho saco para filmes de países sem saneamento básico, e faço um esforço hercúleo para gostar de jazz instrumental e virar um velho erudito, mas acho futebol sem gol, fica só na firula e no pé-pé.
Agora vocês podem me odiar com propriedade. Mas lembrem-se de que gosto CONTA, e é importante. Ah, tá, e do cavalo de 7 de Setembro, lembrem-se do cavalo...


Rodrigo Santos

2 comentários:

Fernando Pitanga disse...

A iminência dos 40 me tornaram ( ora ora) refratário a poética (?) prolixa de Renato Manfredini Jr. O BRock é uma criação do Dapieve que retroagiu uma década ( Em 85 era tudo New Wave). Lispector? Quem nunca quis mandar aquela senhora a merda? Mas, como não sou da área, me reservo a não lê-la. Almodovar? Who? Gatos? São asfalto com pelos nas rodovias que transito. Comida japonesa? Gosto muito mas para ficar saciado, o Japão teria que se situar em 8 ilhas.

Christina Almeida disse...

Nao curto animais, e gatos, menos ainda. Acho chato esse povo protetor dos animais, que olham quem não gosta de bicho com cara de poucos amigos. Odeioooooo pauzinho japonês e suas gororobas nojentas e cruas. Mas não posso concordar com vc quanto à Clarice. Gosto dos seus contos. Tem textos ruins, claro, como todo escritor. Mas sempre me identifiquei com ela. Agora fiquei preocupada: Será que sou uma pessoa superficial, vazia e rasa? Acho que agora tenho motivo para fazer análise... rs